Nos últimos seis anos a vida politica de São Martinho do Porto, tem conhecido alguma intermitência, fruto de várias campanhas partidárias ou independentes para a sua Junta de Freguesia.Normalmente a vida em S. Martinho é calma e sem grandes sobressaltos, mas nestas alturas em que os interesses partidários se começam a definir, esgrimem-se no terreno as suas razões, que não as da terra, e começa a excitação, para não dizer a parvoeira.
E digo partidários, porque mesmo alguns independentes, aparecem aos olhos do eleitorado nessa condição mas mantêm atrás de si todo o apoio do partido que move a maioria dos seus componentes.
Foi assim em 2001, com duas listas Independentes, mas com uma delas de cunho e apoio declaradamente Socialista, (pese embora algumas tentativas para negar o evidente do seu então cabeça de lista, numa tentiva desesperada de caçar votos), e uma terceira do Partido Social Democrático.
Nestas coisas da politica, a máquina partidária é de primordial importância e como não poderia ter sido de outra forma, saiu vencedora mais uma vez a “do costume”, a do PSD.
Mas, como em tempos escreveu o meu amigo Paulo Fonseca, num pequeno intróito a uma fotobiografia da lista a que nós nesse ano pertencemos: “ ... a democracia não é perfeita e nem sempre o povo escolhe o melhor para si próprio ... o que fica para a história são os numeros ... e tambem estou certo que ... as eleições em São Martinho do Porto jamais serão iguais...”. Tinha razão o Paulo, nunca mais foram o mesmo, começou aí uma nova esperança que invadiu o povo e que se prolongou até às últimas eleições de 2005. Nestas, apenas duas listas mas desta vez firmemente definidas partidáriamente, PSD e PS.
Em ambas as ocasiões a população teve nas suas mãos a possibilidade de mudar o rumo desta terra. Não o entendeu assim e a sua voz é soberana, pelo que até 2005, a situação se manteve intacta, porque o executivo eleito não geria, ou geria à sua maneira, e a oposição não se opunha, era o marasmo completo, e pelos vistos o descalabro.
Conscientes de que a razão estava do seu lado, aqueles que mesmo perdendo acharam por bem continuar a pugnar por uma melhor oposição e maior transparência da vida pública, encetaram no local próprio, em Asssembleia de Freguesia portanto, uma caminhada de moralização que culminou infelizmente com toda a embrulhada politica que tem assolado de forma negativa a vida da nossa freguesia.
Ilegalidades e irregularidades, foram aparecendo talvez por ignorância administrativa e até por uma ausente fiscalização das inumeras oposições que sem o minimo de preparação por cá foram aparecendo.
É neste quadro, que a fazer fé no que as bocas do povo dizem, que se vislumbram no horizonte novas candidaturas ao orgão máximo da freguesia, porque o momento é propicío e pelos vistos “a fruta está a cair de madura”.
Oportunismo, protagonismo, cegueira politica e sobretudo ingratidão é o que me ocorre neste momento. Mais uma vez, de entre aqueles que deveriam saber reconhecer o valor e a capacidade de quem se bateu e continua a bater-se por causas justas e em defesa desta terra, aparecem ou perfilam-se no horizonte mais uns quantos que de tudo isto esperam tirar dividendos politicos e semear a divisão.
Numa altura em que seria precisa a união em torno de uma só candidatura, sobretudo daquela que teve a coragem e a competência para repôr nesta terra a legalidade e a justiça, aparecem os arautos do futuro, dos que de forma hipócrita se têm remetido ao silêncio e agora, quais felinos dissimulados por entre as ramas se preparam para cair em cima das suas presas moribundas. Nem num momento como o que se vive, despem a camisola do partido ou do interesse mesquinho e vestem aquela que deveria ter sido sempre a que envergavam, a de São Martinho do Porto.
É assim a injustiça dos homens, a ambição dos que não querem sequer reconhecer que em certos momentos da vida precisamos de introduzir aos nossos actos alguma coerência e dignidade.
Mais uma vez, a confirmarem-se os boatos que por aqui correm, a nossa gente vai assistir de pé e na primeira fila, à perda do futuro que tão bem poderia ser agora agarrado pela mão de todos nós. É por isso que um velho ditado neste caso faça todo o sentido: cada povo tem o governo que merece.
Lamentável.
António Inglês








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